Governo zerou imposto federal, mas ICMS continua – e em 9 estados ficou mais caro. Entenda por que o consumidor pode se sentir enganado.
O governo Lula anunciou o fim da “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até US$ 50. A notícia foi comemorada por milhões de brasileiros. Mas, calma: não é bem assim.
Quem explica os detalhes – e as armadilhas – é Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, colunista do Estadão. E o que ela revela pode surpreender (e frustrar) o consumidor desavisado.
“O imposto federal saiu, mas o estadual continua. E pior: em nove estados, ele aumentou.”
Vamos aos 5 pontos que você precisa saber antes de sair comprando.
Verdade. O tributo de importação que começou a valer em meados de 2024 foi zerado.
Mas isso não significa que a compra ficou livre de impostos.
Esse é o ponto mais importante e menos compreendido.
O ICMS é um imposto estadual. A alíquota da maioria dos estados é 17%. Mas, diferente do imposto federal, o ICMS incide sobre ele mesmo – o famoso cálculo por dentro.
Exemplo prático :
Na prática funciona assim: uma blusinha que custa R$ 100. Se você mora em um Estado que cobra 17% de ICMS, você vai pagar perto de R$ 20 de ICMS, porque o ICMS entra na base do ICMS. Agora, se você mora em um Estado em que a alíquota é de 20%, aí você vai pagar R$ 25 de ICMS.“
Ou seja: na prática, o imposto é bem maior do que o número que aparece na alíquota.
Desde 2023, nove estados subiram a alíquota do ICMS para compras internacionais de 17% para 20%. São eles:
| Estado | Governado por |
|---|---|
| Acre | Republicanos |
| Alagoas | MDB |
| Bahia | PT |
| Ceará | PT |
| Paraíba | Republicanos |
| Piauí | PT |
| Rio Grande do Norte | PT |
| Roraima | Republicanos |
| Sergipe | União Brasil |
O detalhe que gera constrangimento: quatro desses estados são governados pelo PT, mesmo partido do presidente Lula, que agora anuncia o fim da taxa federal.
Ou seja: enquanto o governo federal tira um imposto, estados petistas colocam outro – e mais caro.
Aqui está o grande problema de comunicação política.
Quando você compra em sites como Shein, Shopee ou AliExpress, o sistema mostra uma única linha chamada “Impostos”. Não há separação entre o que é federal e o que é estadual.
O pensamento do consumidor: "Ué, mas não tinha acabado a taxa das blusinhas?"
E ele tem razão em ficar confuso. O governo federal zerou o imposto federal, mas o valor total de impostos na tela continuará alto – porque o ICMS continua lá, e em nove estados está ainda maior.
“Esse é o grande desafio do governo federal agora: fazer a pessoa entender que o imposto federal saiu, mas o imposto estadual continua – e, nesse caso, nem é culpa dele.” – Duquesa de Tax
Se você tem uma loja física ou digital no Brasil, esta é a sua grande oportunidade de comunicação.
Explique ao cliente: “Na importação, você ainda paga ICMS – e em alguns estados, até 20% calculado por dentro. Aqui, o preço é final e você leva hoje.”
Monte uma tabela simples no caixa ou nas redes sociais:
| Valor do produto | ICMS (17%) | ICMS por dentro | Total de imposto |
|---|---|---|---|
| R$ 100 | R$ 17 | =R$ 20 | = R$ 20 |
Com ICMS de 20% (nove estados): imposto sobe para +R$ 25.
O cliente vai se frustrar ao ver a linha “Impostos” no checkout. Você pode ser o porto seguro que explica com clareza e honestidade.
Sim. A Fiesp continua pressionando pela devolução da MP. Mas, independentemente do desfecho, o ICMS estadual continua valendo – e esse é um imposto que nenhuma MP do presidente pode derrubar, porque é competência dos estados.
O que pode acontecer:
A MP é aprovada → continua sem imposto federal, mas ICMS permanece.
A MP é derrubada → volta o imposto federal de 20% + ICMS (bateu, dobrou).
De qualquer forma, o consumidor continuará pagando imposto. A diferença é quanto.
O fim da “taxa das blusinhas” não é o fim dos impostos. É apenas uma troca de figurinhas entre União e estados.
Para o lojista, o recado é claro: invista em educação do consumidor. Explique o ICMS por dentro. Mostre os estados que aumentaram a alíquota. Seja a referência de transparência no seu bairro ou na sua cidade.
Para o consumidor, o recado é outro: desconfie do barato. A linha “Impostos” no seu carrinho não mente – mas também não conta toda a história.
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