MP que zera imposto federal para compras de até US$ 50 agrada o bolso, mas acirra crise no setor produtivo. Entenda os dois lados.
Fim da “taxa das blusinhas”: economia para quem compra, alerta vermelho para quem vende
O governo federal reacendeu uma das polêmicas mais sensíveis do varejo de moda. Ao assinar a Medida Provisória que zera o imposto de importação para compras internacionais de até US 250), o presidente Lula agradou milhões de consumidores, mas provocou uma reação imediata e contundente da indústria nacional.
A Fiesp protocolou um pedido para que o Congresso devolva a MP. A alegação é direta: a medida cria concorrência desleal, destrói empregos e sabota a economia brasileira.
Mas, na ponta do balcão da loja de rua, será que o consumidor entende assim? E o lojista de moda, o que fazer diante de uma blusinha que chega da China sem tributo federal, enquanto o produto nacional carrega uma montanha de impostos?
O que realmente muda (e o que não muda)
Vamos aos números secos:
| Tipo de compra | Imposto federal ANTES | Imposto federal AGORA | ICMS estadual |
|---|---|---|---|
| Até US$ 50 | 20% | 0% | 17% (mantido) |
| Acima de US$ 50 | 60% | 60% | 17% |
Ponto positivo para o consumidor: a fatura final de uma compra de R$ 240 cai sensivelmente.
Ponto negativo para o lojista físico: ele perde o argumento de que o preço lá fora não compensa após os impostos.
“O comprador não entende de tributo. Ele entende de preço final. E agora o preço final da importação ficou artificialmente mais barato que o nosso.” – especialista em varejo de moda consultado pelo TV Moda Center.
Por que a indústria está em pânico (e não é exagero)
A Fiesp não está sozinha. Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) e federações estaduais já se manifestaram contra a MP.
Os argumentos técnicos:
Assimetria tributária – Enquanto o importador de uma blusa de R$ 40 paga 0% de imposto federal, o fabricante nacional paga PIS, Cofins, IPI e, dependendo do estado, ICMS sobre matéria-prima.
Evasão de arrecadação – Estima-se que a Receita Federal deixará de arrecadar cerca de R$ 2 bilhões por ano, dinheiro que poderia financiar o próprio setor têxtil.
Fechamento de lojas – Pequenos varejistas de shoppings populares e centros de moda como Brás (SP), Bom Retiro (SP) e Centro do Rio já relatam queda de 15% a 25% nas vendas de peças de baixo ticket desde a primeira tentativa de taxação, em 2023.
E o consumidor, o que ganha e o que perde?
A curto prazo, o consumidor ganha acesso a roupas, acessórios e calçados por valores até 40% menores do que os praticados no varejo nacional. Isso é fato.
Mas o economista-chefe de uma consultoria de varejo (cenário simulado com base em dados reais) alerta:
“Quando a indústria nacional perde escala, fecha fábrica e demite, o efeito é devastador. Menos concorrência interna, a médio prazo, pode até aumentar o preço do que restar no mercado local. E aí, o consumidor perde duas vezes: perde o emprego e perde a opção barata.”
Ou seja: o barato de hoje pode virar desemprego amanhã.
O que o lojista de moda precisa fazer agora
Se você tem uma loja física ou digital, o cenário exige ação estratégica, não pânico.
1. Reforce o valor “produto nacional”
Destaque na vitrine, na etiqueta e no atendimento: “Feito aqui. Gera emprego aqui.” Consumidor consciente valoriza isso.
2. Aposte em coleções de reposição rápida
Diferente da importação (que leva 30 a 60 dias), você pode reabastecer moda local em 7 dias. Velocidade é vantagem.
3. Use o ICMS a seu favor
Sim, o imposto estadual de 17% ainda vale para a importação. Informe o cliente: “Na importação você ainda paga ICMS. Aqui, o preço já tem tudo incluso e você leva hoje.”
4. Invista em experiência
A importação não troca tamanho, não oferece prova e atrasa. Seu grande trunfo é o atendimento humano e imediato.
E agora? O que esperar do Congresso?
A devolução da MP depende da pressão de parlamentares. A Fiesp já articula com líderes do Centrão e da oposição. Por outro lado, a base do governo argumenta que a medida combate a inflação de vestuário e beneficia a classe C e D.
O desfecho é incerto, mas uma coisa é certa: até outubro de 2025 (prazo de validade da MP, se não aprovada pelo Legislativo), o setor de moda viverá sob tensão máxima.
Conclusão: não há almoço grátis
O fim da “taxa das blusinhas” é ótimo para quem quer pagar menos hoje, mas péssimo para quem depende do tecido, da máquina de costura e da venda no balcão para viver.
Na TV Moda Center, acreditamos em informação clara: você, leitor, precisa saber o custo real de cada escolha. Baratear importação sem proteger o que é nosso pode custar caro demais.
Continue acompanhando. Vamos cobrir cada voto no Congresso e cada movimento do varejo.
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