Fim da taxa das blusinhas: guerra declarada

Publicado por: Redação
13/05/2026 21:00:00
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Consumidor entre o preço baixo da importação e o impacto no comércio local.
Consumidor entre o preço baixo da importação e o impacto no comércio local.

MP que zera imposto federal para compras de até US$ 50 agrada o bolso, mas acirra crise no setor produtivo. Entenda os dois lados.

 

Fim da “taxa das blusinhas”: economia para quem compra, alerta vermelho para quem vende

O governo federal reacendeu uma das polêmicas mais sensíveis do varejo de moda. Ao assinar a Medida Provisória que zera o imposto de importação para compras internacionais de até US50(cercadeR 250), o presidente Lula agradou milhões de consumidores, mas provocou uma reação imediata e contundente da indústria nacional.

Fiesp protocolou um pedido para que o Congresso devolva a MP. A alegação é direta: a medida cria concorrência desleal, destrói empregos e sabota a economia brasileira.

Mas, na ponta do balcão da loja de rua, será que o consumidor entende assim? E o lojista de moda, o que fazer diante de uma blusinha que chega da China sem tributo federal, enquanto o produto nacional carrega uma montanha de impostos?

 

O que realmente muda (e o que não muda)

Vamos aos números secos:

 
 
Tipo de compra Imposto federal ANTES Imposto federal AGORA ICMS estadual
Até US$ 50 20% 0% 17% (mantido)
Acima de US$ 50 60% 60% 17%

 Ponto positivo para o consumidor: a fatura final de uma compra de R$ 240 cai sensivelmente.
 Ponto negativo para o lojista físico: ele perde o argumento de que o preço lá fora não compensa após os impostos.

“O comprador não entende de tributo. Ele entende de preço final. E agora o preço final da importação ficou artificialmente mais barato que o nosso.” – especialista em varejo de moda consultado pelo TV Moda Center.

 

Por que a indústria está em pânico (e não é exagero)

A Fiesp não está sozinha. Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) e federações estaduais já se manifestaram contra a MP.

 

Os argumentos técnicos:

Assimetria tributária – Enquanto o importador de uma blusa de R$ 40 paga 0% de imposto federal, o fabricante nacional paga PIS, Cofins, IPI e, dependendo do estado, ICMS sobre matéria-prima.

Evasão de arrecadação – Estima-se que a Receita Federal deixará de arrecadar cerca de R$ 2 bilhões por ano, dinheiro que poderia financiar o próprio setor têxtil.

Fechamento de lojas – Pequenos varejistas de shoppings populares e centros de moda como Brás (SP), Bom Retiro (SP) e Centro do Rio já relatam queda de 15% a 25% nas vendas de peças de baixo ticket desde a primeira tentativa de taxação, em 2023.

 

E o consumidor, o que ganha e o que perde?

A curto prazo, o consumidor ganha acesso a roupas, acessórios e calçados por valores até 40% menores do que os praticados no varejo nacional. Isso é fato.

Mas o economista-chefe de uma consultoria de varejo (cenário simulado com base em dados reais) alerta:

“Quando a indústria nacional perde escala, fecha fábrica e demite, o efeito é devastador. Menos concorrência interna, a médio prazo, pode até aumentar o preço do que restar no mercado local. E aí, o consumidor perde duas vezes: perde o emprego e perde a opção barata.”

Ou seja: o barato de hoje pode virar desemprego amanhã.

 

O que o lojista de moda precisa fazer agora

Se você tem uma loja física ou digital, o cenário exige ação estratégica, não pânico.

 1. Reforce o valor “produto nacional”

Destaque na vitrine, na etiqueta e no atendimento: “Feito aqui. Gera emprego aqui.” Consumidor consciente valoriza isso.

 2. Aposte em coleções de reposição rápida

Diferente da importação (que leva 30 a 60 dias), você pode reabastecer moda local em 7 dias. Velocidade é vantagem.

 3. Use o ICMS a seu favor

Sim, o imposto estadual de 17% ainda vale para a importação. Informe o cliente: “Na importação você ainda paga ICMS. Aqui, o preço já tem tudo incluso e você leva hoje.”

 4. Invista em experiência

A importação não troca tamanho, não oferece prova e atrasa. Seu grande trunfo é o atendimento humano e imediato.

 

E agora? O que esperar do Congresso?

A devolução da MP depende da pressão de parlamentares. A Fiesp já articula com líderes do Centrão e da oposição. Por outro lado, a base do governo argumenta que a medida combate a inflação de vestuário e beneficia a classe C e D.

O desfecho é incerto, mas uma coisa é certa: até outubro de 2025 (prazo de validade da MP, se não aprovada pelo Legislativo), o setor de moda viverá sob tensão máxima.

 

Conclusão: não há almoço grátis

O fim da “taxa das blusinhas” é ótimo para quem quer pagar menos hoje, mas péssimo para quem depende do tecido, da máquina de costura e da venda no balcão para viver.

Na TV Moda Center, acreditamos em informação clara: você, leitor, precisa saber o custo real de cada escolha. Baratear importação sem proteger o que é nosso pode custar caro demais.

Continue acompanhando. Vamos cobrir cada voto no Congresso e cada movimento do varejo.

 

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