Com o mercado enxuto, apenas cinco operadores seguem ativos. A nova fase do polo exige estratégia, profissionalismo e coragem para mudar.
O ciclo dos “galpões distribuidores” em Santa Cruz do Capibaribe entrou oficialmente em uma nova fase.
Depois de anos de crescimento acelerado, promessas fáceis e modelos copiados à exaustão, o mercado passou por um processo silencioso de seleção natural. A maioria não resistiu. Fechou. Endividou-se. Desapareceu.
Hoje, restam poucos.
Entre os que seguem operando com regularidade, destacam-se L&L e ELITE como os mais estruturados. ML e Valentina mantêm atividade em nível intermediário. Tua Kara opera em escala reduzida.
Durante muito tempo, acreditou-se que bastava:
Ter um galpão
Criar um site
Postar no Instagram
Contratar influenciador
para “vender para o Brasil inteiro”.
Essa ilusão custou ( e custa) caro.
Quando o mercado saturou, ficou claro que formato não substitui gestão.
Visual não substitui estratégia.
Alcance não substitui relacionamento.
O que parecia modernização era, na prática, informalidade digitalizada.
Os galpões que permanecem ativos não estão aí por sorte.
Eles conseguiram, ainda que parcialmente:
Organizar fluxo financeiro
Construir carteira fiel
Controlar melhor o estoque
Selecionar fornecedores
Reduzir inadimplência
Aprenderam errando.
E corrigiram antes de quebrar.
Hoje, entrar no jogo não é mais simples.
O cenário mudou.
Não há mais espaço para aventureiro.
Quem tenta copiar o modelo antigo encontra:
Margens apertadas
Clientes desconfiados
Concorrência consolidada
Custos elevados
O mercado ficou menor — e mais duro.
Paradoxalmente, o maior perigo dos sobreviventes é o sucesso relativo.
Resistir pode gerar falsa sensação de segurança.
O pensamento silencioso é:
Não estão.
A próxima onda já está chegando:
Moda ON ( TV de Moda em Nuvem 24 Horas)
Marketplaces atacadistas
TikTok Shop
Shopee B2B
Plataformas integradas
Dropshipping nacional
Esses modelos operam com tecnologia, dados e escala.
Não com improviso.
O polo vive uma encruzilhada.
Pode continuar focado em:
❌ Quantidade
❌ Preço baixo
❌ Giro rápido
❌ Margem mínima
Ou migrar para:
✅ Marca
✅ Qualidade
✅ Especialização
✅ Relacionamento
✅ Valor agregado
Os polos que cresceram no Brasil fizeram essa virada.
Santa Cruz ainda não.
Se quiser liderar o novo ciclo, o setor precisa avançar em quatro frentes:
Menos “de tudo um pouco”.
Mais foco em nichos rentáveis.
Medidas, tecidos, acabamento e embalagem precisam ser confiáveis.
Vendas com CRM, histórico, metas e estratégia.
Confecção não pode ser apenas fornecedora invisível.
Precisa ser protagonista.
O fato de ainda existirem galpões ativos é sinal de resistência.
Mas resistência não é liderança.
O polo só se fortalecerá quando deixar de apenas reagir às crises e passar a antecipá-las.
O futuro da moda em Santa Cruz não será decidido por quem vende mais barato.
Será decidido por quem pensar melhor.