Shein compra Everlane por US$ 100 milhões: a falácia da moda sustentável exposta

Publicado por: Redação
04/06/2026 09:00:00
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A aquisição da Everlane pela Shein expõe a fragilidade do discurso sustentável na moda – e acende o alerta no mercado brasileiro.
A aquisição da Everlane pela Shein expõe a fragilidade do discurso sustentável na moda – e acende o alerta no mercado brasileiro.

A chinesa Shein acaba de comprar a Everlane, grife americana que se vendia como ícone sustentável. 

Negócio de US$ 100 milhões revela que, por trás do discurso "ético", o que manda mesmo é a dívida – e o bolso do investidor.

 

Por Mike Nelson ( Redação  Santa Cruz do Capibaribe PE)
Com informações do Puck News e apuração própria do mercado de moda brasileiro

A contradição que o mundo da moda tentou esconder

Era para ser o casamento perfeito entre propósito e lucro. A Everlane, grife norte-americana que conquistou os armários mais descolados do planeta com o mantra “transparência radical” e “moda ética”, agora pertence à Shein – a gigante chinesa do fast fashion que produz mais poluição em um dia do que a Everlane em um ano.

 

O negócio foi aprovado no último sábado (16 de maio de 2026) e anunciado ao mercado na sexta-feira (22). Valor da transação: US

 90 milhões referem-se a dívidas.

Ou seja: a Everlane não foi comprada pelo seu suposto valor sustentável. Foi comprada porque devia – e a Shein topou pagar a conta em troca de um selo verde para chamar de seu.

 

O que a brasileira que compra online precisa saber

No Brasil, a Shein já é a segunda maior plataforma de moda do país, atrás apenas da Magazine Luiza, segundo dados recentes do setor. Com a aquisição da Everlane, a empresa chinesa ganha um ativo valioso: legitimidade para falar de sustentabilidade em um mercado que começa a regulamentar práticas ambientais.

 

Mas calma. A Everlane nunca foi tão sustentável quanto dizia. A marca já foi processada nos EUA por mentir sobre o uso de poliéster reciclado. Teve funcionários denunciando salários baixos em fábricas supostamente “éticas”. E agora seu destino está nas mãos da empresa que popularizou o ultra fast fashion – peças de R$ 30 que duram três lavagens.

 

Isso não é sustentabilidade. É maquiagem verde de luxo.

 

O papel da L Catterton (e o LVMH por trás)

A Everlane estava sob controle majoritário da L Catterton, fundo de private equity apoiado pelo conglomerado de luxo LVMH (dona da Louis Vuitton, Dior e Givenchy). Ou seja: o mesmo grupo que vende bolsas de R$ 30 mil também apostou numa grife “consciente” – e agora a vendeu para a maior vilã ambiental da indústria.

 

Para o mercado financeiro, a operação é simples: a L Catterton não conseguiu transformar a Everlane em lucro real. Os acionistas com ações ordinárias ficarão com nada. Zero. Nem um centavo. Os preferenciais podem receber ações da Shein – que, convenhamos, não é exatamente um ativo de prestígio.

 

E o Brasil com isso?

Nosso país é um dos maiores consumidores de moda do mundo e também um dos que mais sofre com os impactos do fast fashion: montes de roupa descartadas em aterros, trabalho análogo à escravidão na cadeia têxtil e um discurso de “moda sustentável” que virou produto de marketing.

 

A Shein já opera no Brasil com forte apelo de preço baixo e entrega rápida. Agora, com a Everlane no bolso, poderá lançar coleções com selo “verde” – e o consumidor desatento vai achar que está ajudando o planeta.

 

Não está.

O que você, leitor da TV Moda Center, pode fazer

Nós não vamos pedir que você pare de comprar. Mas vamos sugerir que você desconfie de qualquer marca que se venda como sustentável sem mostrar números auditados.

 

Pergunte: onde foi feita a roupa?

Exija: relatórios ambientais públicos.

Desconfie de: discurso bonito sem ação real.

 

A Everlane foi vendida por dívida, não por propósito. E a Shein não virou santa da noite para o dia. A moda sustentável de verdade é aquela que você usa por anos, conserta, troca, repassa – não a que vem com etiqueta de “transparência radical” e acaba num galpão da Shein.

 

Conclusão: o discurso morreu. Viva a desconfiança.

O negócio Shein + Everlane é o maior símbolo do greenwashing da década. Mostra que, no capitalismo da moda, até a roupa “consciente” tem preço – e ele é sempre mais baixo do que a ética que diz defender.

 

Fique de olho. E continue lendo a TV Moda Center. A gente não vende discurso. A gente investiga.

 

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